POR QUE MEU VOTO CONTINUA COM LULA

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Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Engenheiro, Jornalista e Advogado

As urnas de 4 de outubro não fecharam a conta. Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, e Lula, com 45,16%. A distância, pouco mais de 2,2 milhões de votos, veio numa eleição em que um em cada cinco eleitores ficou em casa. Nada está definido. O presidente Lula está firme e deve vencer no dia 25.

O país já viu esse roteiro. Em 2014, Aécio Neves começou o segundo turno na frente, com 51% dos votos válidos no Datafolha e no Ibope, contra 49% de Dilma Rousseff. Em 26 de outubro, Dilma venceu por 51,6% a 48,4%.

Quem tem vida pública deve se explicar. Mantenho meu voto, e as razões, que não mudaram, cabem no cotidiano de qualquer brasileiro: comida na mesa, emprego, salário, escola, remédio, teto. Escolho pelo que os governos de Lula fizeram e pela direção que apontam.

  1. A fome vem primeiro. Em 2003, Lula lançou o Fome Zero e criou o Bolsa Família, que em 2006 já chegava a 11,1 milhões de famílias. Ao fim de oito anos, a pobreza havia caído 50,6%, segundo a FGV. Dilma manteve a trajetória, e a ONU tirou o Brasil do Mapa da Fome em 2014. Os anos de Temer e Jair Bolsonaro desfizeram parte do caminho. De volta ao Planalto, Lula recolocou a fome no alto da agenda: a ONU retirou o país do mapa outra vez em 2025, e só entre 2023 e 2024, segundo o IBGE, 8,6 milhões de pessoas deixaram a pobreza.
  2. Trabalho. Nos primeiros quatro anos, o Brasil ganhou cerca de 6,5 milhões de empregos formais. O segundo mandato somou outros 8,9 milhões, e 2010 fechou com 44,1 milhões de vínculos na Rais. Em 2025, a desocupação média ficou em 5,6%, a menor da série da Pnad Contínua. Carteira assinada é sustento, sossego e força para negociar salário.
  3. Salário que compra mais. Lula herdou um mínimo de R$ 200 e o levou a R$ 350 em 2006 e a R$ 510 em 2010. O ganho real dos dois primeiros mandatos passou de 50%, segundo o Dieese. A política de valorização, enterrada no governo de Jair Bolsonaro, voltou em 2023 e elevou o piso a R$ 1.621 em 2026, com 2,5% acima da inflação. Aposentados e beneficiários atrelados ao mínimo sentem a diferença.
  4. Escola para quem nasceu sem privilégio. O Prouni chegou em 2005, o Reuni em 2007, os 38 institutos federais em 2008. Até 2010 surgiram 14 universidades federais, e as vagas de ingresso na rede saltaram de 109 mil para 222 mil. O terceiro governo reinvestiu nessas instituições e criou o Pé-de-Meia, que paga acerca de 4 milhões de alunos do ensino médio público até R$ 9.200. Abrir a porta e segurar o estudante lá dentro fazem parte do mesmo dever.
  5. Saúde ao alcance da mão. O Samu virou programa nacional em 2003 e, em 2010, já cobria 122,9 milhões de pessoas. O Farmácia Popular nasceu em 2004, e seus 41 itens se tornaram gratuitos em 2025. Reativado, o Mais Médicos reúne cerca de 26,6 mil profissionais e atende uma população estimada em 73 milhões. Para quem hesita entre o remédio e a conta de luz, isso tem o condão de decidir o mês.
  6. Casa. Em 2005, Lula sancionou a lei do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social, com seu fundo, velha reivindicação dos movimentos de moradia. Em 2009 veio o Minha Casa, Minha Vida, com 1.005.128 moradias contratadas até 2010. Retomado no terceiro mandato, o programa ultrapassou 2 milhões de contratos ao fim de 2025. Contrato ainda não é chave na mão, mas o déficit habitacional voltou a ter política de Estado.
  7. Crescer para quem trabalha. O PIB avançou 4% em 2006 e 7,5% em 2010, já depois do tranco da crise de 2008. No terceiro mandato, cresceu 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Esses números importam porque vieram com mais emprego e menos pobreza. Crescimento que não chega à mesa de quem trabalha só engorda banqueiro.
  8. A floresta em pé. Em 2004 nasceu o plano de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia, e a área derrubada caiu de 27,8 mil km² naquele ano para 14,3 mil em 2006 e 7 mil em 2010. Retomadas essas políticas, a taxa anual do Inpe recuou de 11.594 km² em 2022 para menos de 5,8 mil em 2025, metade do que era. Floresta preservada protege o clima, a biodiversidade e os povos que moram nela.

Foquei no mais vistoso. As outras conquistas são tantas que só cabem aqui pelo nome: Luz para Todos, Brasil Sorridente, Programa de Aquisição de Alimentos, Brasil Alfabetizado, Cultura Viva, ProJovem, Universidade Aberta do Brasil, PAC, Pronasci, Desenrola Brasil, Novo PAC, Nova Indústria Brasil, Escola em Tempo Integral,
Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, Mais Professores, Agora Tem Especialistas, Luz do Povo, Gás do Povo, Reforma Casa Brasil.

Nenhum desses programas brotou do nada. Trabalhadores, movimentos sociais, servidores e prefeituras os construíram, com uma Presidência que lhes deu prioridade, dinheiro e rumo.

Fica a razão que nenhuma estatística mede. Dos dois nomes na urna, Lula é o mais democrático. Já fez muito pelo país e fará muito mais. Mantenho meu apoio, e no dia 25 meu voto é dele.

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    José Manoel Ferreira Gonçalves

    José Manoel Ferreira Gonçalves

    Engenheiro, advogado, jornalista e cientista político. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes pela Universidade de Lisboa, ocupa a cadeira nº 13 da Academia Mackenzista de Letras. É autor de 21 livros que transitam entre engenharia, política, sustentabilidade e ética pública.

    Foi professor, pesquisador, colaborador em órgãos ambientais e repórter da Rádio Jovem Pan. Fundador e presidente da FerroFrente, Frente pela Volta das Ferrovias e da Água Viva, Associação Guarujá Viva. Coordenador do EPD-Movimento Engenheiros pela Democracia e do SOS Planeta.


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