José Manoel Ferreira Gonçalves apresenta à Direção Institucional da Beneficência Portuguesa de São Paulo considerações sobre o Dossiê de Valor 2025
DOCUMENTO PÚBLICO
José Manoel Ferreira Gonçalves, sócio efetivo da Beneficência Portuguesa de São Paulo desde 1973, apresenta à Direção Institucional da instituição suas considerações sobre o Dossiê de Valor 2025 e sobre os próximos passos para o desenvolvimento de uma abordagem de Saúde Baseada em Valor na BP.
A manifestação aborda a utilização de indicadores de desfecho, PROMs, acompanhamento longitudinal dos pacientes, prevenção, relação entre resultados e recursos utilizados, construção de séries históricas e utilização dos dados como instrumento permanente de gestão.
O documento é publicado integralmente nesta página e também está disponível para download:
À DIREÇÃO INSTITUCIONAL DA BENEFICÊNCIA PORTUGUESA DE SÃO PAULO
Assunto: Dossiê de Valor 2025 – contribuição para o desenvolvimento da Saúde Baseada em Valor na BP
Eu, José Manoel Ferreira Gonçalves, sócio efetivo da Beneficência Portuguesa de São Paulo desde 1973, sob o registro nº 11.086, apresento à Direção Institucional algumas considerações a respeito do Dossiê de Valor 2025.
Minha leitura parte do reconhecimento de que o Dossiê estabelece uma base importante para uma mudança na forma de avaliar os resultados assistenciais da BP. Ao incorporar desfechos clínicos, qualidade de vida, acompanhamento longitudinal e a percepção dos próprios pacientes, a instituição começa a avançar de uma avaliação concentrada na produção assistencial para uma avaliação orientada pelos resultados produzidos para o paciente.
A estruturação das Linhas de Cuidado e a utilização dos PROMs são exemplos concretos dessa evolução. O acompanhamento deixa de considerar somente o procedimento realizado e passa a observar o que aconteceu com o paciente ao longo de sua trajetória.
A meu ver, o próximo passo é definir a dimensão institucional que a Saúde Baseada em Valor deverá assumir.
Existe uma diferença entre manter essa abordagem como uma iniciativa assistencial, concentrada em determinadas Linhas de Cuidado, e incorporá-la progressivamente ao modelo de gestão da BP. No segundo caso, os resultados obtidos poderiam contribuir diretamente para decisões de planejamento, investimentos, tecnologia, organização dos processos, protocolos assistenciais, experiência do paciente e demais decisões estratégicas da instituição.
Essa evolução também exige ampliar o olhar sobre a jornada do paciente.
O resultado obtido durante a internação é fundamental, mas não necessariamente representa o resultado final da assistência. Sempre que possível, a avaliação deve acompanhar o paciente antes, durante e depois do episódio hospitalar, inclusive quando parte dessa jornada ocorrer fora da estrutura da BP.
Nesse sentido, indicadores como reinternações, complicações posteriores, recuperação funcional e qualidade de vida podem contribuir para uma compreensão mais completa do valor produzido pela assistência.
A prevenção deve seguir a mesma lógica.
Além de demonstrar a qualidade dos tratamentos realizados, o modelo pode avançar para medir aquilo que a instituição conseguiu evitar: agravamentos, complicações, internações potencialmente evitáveis e outros eventos que poderiam comprometer a trajetória do paciente.
Há, ainda, duas questões que considero fundamentais para o amadurecimento dos próximos ciclos do Dossiê.
A primeira é a relação entre resultado e recursos utilizados.
O Dossiê apresenta resultados assistenciais, mas ainda não demonstra de forma estruturada a relação entre os desfechos alcançados e os recursos utilizados. O amadurecimento do modelo poderá permitir compreender quanto custa produzir determinado resultado e onde existem oportunidades simultâneas de melhoria clínica e eficiência.
A segunda é a construção de uma série histórica institucional.
Como este é o primeiro Dossiê, ainda não existe uma série histórica consolidada. Os próximos ciclos poderão estabelecer uma lógica objetiva de linha de base → meta → resultado → evolução, permitindo que a BP acompanhe não apenas referências externas, mas principalmente a sua própria trajetória.
Essa evolução permitirá identificar com maior precisão onde houve melhoria, quais metas foram alcançadas, quais resultados permaneceram estáveis e quais mudanças de processos ou protocolos efetivamente produziram impacto.
Também será importante ampliar progressivamente a abrangência do acompanhamento. Os mais de 1.400 pacientes acompanhados nas Linhas de Cuidado constituem uma base relevante, mas sua dimensão poderá ser melhor compreendida quando relacionada ao universo de pacientes elegíveis, permitindo avaliar cobertura, adesão e permanência no acompanhamento longitudinal.
O Dossiê poderá, assim, evoluir de uma publicação periódica de resultados para um instrumento permanente de gestão: medir, identificar oportunidades, promover mudanças, medir novamente e demonstrar a evolução alcançada.
Essa é, a meu ver, a principal oportunidade colocada pelo trabalho já iniciado pela BP.
Como associado efetivo há mais de cinco décadas, considero que a instituição tem a oportunidade de consolidar uma metodologia própria de acompanhamento de sua evolução, relacionando resultados assistenciais, experiência do paciente, prevenção, recursos utilizados, eficiência e metas institucionais.
O Dossiê de Valor 2025 estabelece uma base. O próximo passo será transformar essa base em um processo contínuo de gestão, capaz de demonstrar não apenas os resultados alcançados, mas também como esses resultados evoluem, quais recursos são necessários para produzi-los e de que maneira as informações obtidas orientam as decisões da instituição.
Apresento estas considerações à Direção Institucional como contribuição de associado e como estímulo à continuidade e ao aprofundamento desse processo.
Atenciosamente,
José Manoel Ferreira Gonçalves
Sócio efetivo da Beneficência Portuguesa de São Paulo desde 1973
Registro nº 11.086