O CORINTHIANS SÓ NÃO DESISTE DE DAR VEXAME

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                                                             Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Engenheiro, advogado e jornalista
Sócio do Corinthians desde 1982, #55paixãocorintiana, #zemanoel

Quando Corinthians desiste de Alisson

A cena expõe um clube grande tropeçando no básico. O Corinthians avisou ao São Paulo que não faria o depósito de R$ 1 milhão exigido para liberar o meio-campista e encerrou a negociação ali mesmo.

Esse tipo de recuo não nasce do nada. Ele nasce de uma guerra de botões dentro do próprio clube: o futebol acelera, o financeiro freia. Marcelo Paz falava publicamente em conversa avançada e em valores alinhados, enquanto a tesouraria, no fim da linha, segurava o dinheiro e derrubava o castelo de cartas.

Por que Corinthians desiste de Alisson

O pacote não se limitava ao milhão inicial. O desenho previa mais R$ 500 mil no segundo semestre e gatilhos que elevariam o custo: R$ 1,5 milhão se o jogador atingisse minutagem em 25 partidas e mais R$ 2 milhões se ele sequer fosse relacionado contra o São Paulo. Ou seja, o “barato” já chegava com aviso de que poderia ficar mais caro.

O São Paulo ainda tratou o acordo como operação de risco e exigiu garantias. A chamada “cláusula anticalote” dá ao Tricolor o poder de travar a transferência caso o valor combinado não caia na conta. Nessa moldura, o Corinthians não tinha espaço para prometer e pagar depois. Precisava pagar primeiro.

O custo invisível do vexame

Quando a notícia estoura, a torcida mira em todos os lados. Ela cobra a presidência, desconfia de quem assina e de quem anuncia. Ela também aponta a influência de contratos que amarram receitas. A dívida da arena e o arranjo com a Caixa pesam no dia a dia e alimentam a sensação de que o caixa nunca está totalmente nas mãos do clube. Não por acaso, o Corinthians carrega dívida relevante ligada ao estádio e um endividamento total elevado, o que comprime decisões simples, como uma taxa de empréstimo.

E tem o dano humano. O jogador vira personagem de uma novela que ele não escreveu. Alisson circula no noticiário, entra em debate entre conselheiros e torcedores, e volta ao São Paulo com a etiqueta de “negócio desfeito”. O Corinthians, por sua vez, reforça a imagem de improviso: anuncia convicção, mas não sustenta o mínimo para cumprir a palavra.

O que o Corinthians precisa fazer já

O clube pode até justificar prudência financeira. Prudência, porém, exige método. Primeiro: alinhar executivo e finanças antes de deixar a negociação chegar à praça pública. Segundo: comunicar com uma única voz. Terceiro: tratar o mercado com respeito, porque reputação também custa dinheiro. E, por fim, decidir se a reestruturação vai ser só discurso ou rotina: contratos claros, governança firme e previsibilidade para não transformar cada reforço em um teste de paciência.

Se Dorival Júnior pede um perfil e o elenco endossa nomes, como torcedores lembram em exemplos recentes, a diretoria precisa transformar desejo técnico em plano viável. Sem isso, repete-se o roteiro: promessa, manchete, recuo. E a pergunta volta, mais amarga: Corinthians desiste de Alisson por falta de caixa ou por falta de comando?

*José Manoel Ferreira Gonçalves é Engenheiro Civil, Advogado, Jornalista, Cientista Político e Escritor. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes (Universidade de Lisboa). É fundador e presidente da FerroFrente e da Associação Água Viva, coordenador do Movimento Engenheiros pela Democracia (EPD) é um dos fundadores do Portal de Notícias Os Inconfidentes, comprometido com pluralidade e engajamento comunitário.

Declaração de fontes do conteúdo: informações apuradas e cruzadas a partir de reportagens publicadas na ESPN e Terra, além de repercussões em veículos esportivos nacionais, com foco em valores, cláusulas e contexto financeiro.

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