JUSTIÇA BRASILEIRA, IMPUNIDADE AMERICANA

Compartilhe:

*Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Engenheiro, advogado e jornalista

Entre a cicatriz e o aprendizado

Brasília amanhece em 8 de janeiro de 2026 com um recado que ecoa além do Eixo Monumental: democracias não se defendem com discursos, mas com responsabilização. O Brasil viveu, em 2023, a imagem mais nítida do que significa atacar o Estado. Em vez de normalizar o vandalismo político, instituições reagiram com método, provas e punições. Isso não apaga nossos vícios históricos, porém muda a régua do aceitável.

Do outro lado do continente, os Estados Unidos seguem como contraponto inquietante. O país que exportou a ideia de Estado de Direito convive com a tentação recorrente de transformar ataques à democracia em capítulos “superáveis” da disputa partidária. Esse contraste alimenta um debate que interessa a qualquer nação: quando a Justiça demora, a impunidade ganha agenda.

Justiça Brasileira Impunidade Americana: o teste das instituições

O Brasil encontrou um caminho raro na própria história: tratou o 8 de janeiro como crime contra a ordem constitucional, não como folclore de internet. A Polícia Federal ampliou perícias digitais, rastreou financiamento, conectou redes de comando e derrubou a narrativa do “ato espontâneo”. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, conduziu ações penais, consolidou jurisprudência e fixou penas que sinalizam um limite claro para quem tenta substituir voto por coerção (STF, ações penais ligadas ao 8/1).

Essa engrenagem importa porque atua como exemplo pedagógico. Quando o Estado pune executores, organizadores e financiadores, ele reduz a reincidência do método. Justiça Brasileira Impunidade Americana não vira slogan; vira uma régua de desempenho institucional.

O labirinto americano e a política do atraso

Nos EUA, a resposta ao 6 de janeiro de 2021 misturou firmeza policial com lentidão estratégica no topo da pirâmide. O país até condenou centenas de participantes, mas deixou o centro político do episódio preso a disputas de competência, calendários eleitorais e batalhas processuais. A decisão da Suprema Corte sobre imunidade presidencial para “atos oficiais” adicionou complexidade e reconfigurou o campo de responsabilização (Suprema Corte dos EUA, Trump v. United States, 2024). Em democracias, detalhes jurídicos importam; ainda assim, quando esses detalhes viram abrigo para manobras, a confiança pública sangra.

Além disso, a polarização transforma cada denúncia em guerra cultural. Promotor vira inimigo. Juiz vira militante. E a democracia paga a conta, porque a lei perde sua função mais básica: impor custo real ao golpismo.

Justiça Brasileira Impunidade Americana: o risco do retrocesso doméstico

A lição brasileira não se consolida sozinha. Sempre surge um “atalho” com cara de pacificação: projetos para reduzir penas, flexibilizar enquadramentos ou reescrever a gravidade do que ocorreu. Parte do Congresso vende isso como harmonia; na prática, pode virar recado de permissividade. Quando a política oferece desconto para atentado institucional, ela convida o próximo aventureiro.

Aqui, a sociedade precisa agir como fiscal. Cobrar coerência, acompanhar votações, exigir transparência e lembrar que democracia não se negocia em troca de conveniência. Justiça Brasileira Impunidade Americana também descreve uma escolha diária: sustentar o custo da lei ou aceitar o conforto curto da amnésia.

Vigilância como política pública

O Brasil avançou quando recusou a lógica da “página virada” sem prestação de contas. Já os EUA mostram como a demora, a ambiguidade e a captura do debate público podem premiar quem testa limites. Se queremos atravessar 2026 com estabilidade, precisamos tratar a responsabilização como infraestrutura: sem manutenção, ela racha.

*José Manoel Ferreira Gonçalves é Engenheiro Civil, Advogado, Jornalista, Cientista Político e Escritor. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes (Universidade de Lisboa). É fundador e presidente da FerroFrente e da Associação Água Viva, coordenador do Movimento Engenheiros pela Democracia (EPD) é um dos fundadores do Portal de Notícias Os Inconfidentes, comprometido com pluralidade e engajamento comunitário.

Declaração de fontes: Este artigo se baseia em informações amplamente divulgadas pela imprensa e em registros públicos e decisões judiciais conhecidos até 2025, incluindo referências a julgamentos do STF sobre o 8 de janeiro e à decisão da Suprema Corte dos EUA em 2024; não utilizei consulta online em tempo real nesta redação.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email