PGR Denuncia Bolsonaro e Seu Grupo por Ataque à Democracia
*Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Jornalista e cientista político
A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro revela detalhes alarmantes de um plano para subverter a ordem democrática brasileira. Bolsonaro é acusado de liderar uma organização criminosa armada que tentou abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e perpetrar um golpe de Estado, além de crimes conexos de dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. Tendo vivido, como vivi, a ditadura militar, e tendo lutado pela volta do estado democrático de direito como lutei, é indizível o tamanho da minha indignação ao voltar a entrar em contato com os fatos, embora já sabidos, de tentativa de golpe por parte do último presidente e seu entorno. A PGR sustenta que o então presidente atuou como chefe de uma conspiração golpista para se manter ilegalmente no poder, atentando contra a Constituição e a vontade das urnas.
As evidências expostas são contundentes. De acordo com a denúncia, Bolsonaro tinha conhecimento e anuência de um plano sinistro apelidado de “Punhal Verde e Amarelo”, que incluía a intenção de assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva no final de 2022. Membros de sua cúpula no Palácio do Planalto teriam articulado ataques às instituições para derrubar o governo legítimo, e apresentaram ao então presidente um esboço desse plano criminoso, ao qual ele aderiu. Em 14 de dezembro de 2022, por exemplo, houve uma reunião no Planalto em que Bolsonaro teria apresentado uma minuta de decreto golpista aos comandantes das Forças Armadas, na tentativa de obter apoio militar para interromper a transição de poder. Esse documento ilegítimo previa a decretação de estado de defesa e a criação de uma “Comissão de Regularidade Eleitoral” para anular o resultado das eleições de 2022, dando uma aparência de legalidade ao golpe planejado. Tais ações deixam claro o propósito ilícito de permanência autoritária no poder por parte de Bolsonaro e seus aliados próximos.
A denúncia aponta que a conspiração se desenrolou em vários núcleos de atuação. Investigações da Polícia Federal identificaram pelo menos seis núcleos golpistas integrados ao plano:
- um núcleo de desinformação voltado a espalhar mentiras sobre as urnas eletrônicas,
- um núcleo que incitava setores militares contra o resultado eleitoral,
- um núcleo jurídico encarregado de dar verniz legal às medidas inconstitucionais (como a minuta de decreto encontrada na casa do ex-ministro Anderson Torres),
- um núcleo operacional para apoio logístico aos acampamentos golpistas em frente aos quartéis,
- um núcleo de inteligência paralela para monitorar autoridades (como ministros do STF, Lula e seu vice Alckmin) e, gravemente,
- um núcleo de medidas coercitivas encarregado de neutralizar opositores por meio da violência, com previsão de assassinato ou captura de Lula, de seu vice e de ministros do STF que resistissem ao golpe.
Todo esse aparato ilegal culminou nos atos criminosos de 8 de janeiro de 2023, quando extremistas invadiram, vilipendiaram, roubaram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília – eventos que, segundo a PGR, foram consequência direta da trama orquestrada pelo grupo de Bolsonaro.

No total, 34 pessoas foram denunciadas por envolvimento no plano golpista. Entre elas destacam-se figuras do círculo íntimo do ex-presidente, como Mauro Cid (seu ajudante de ordens) e o general Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022), apontados como membros do núcleo central da organização criminosa. Também integram a lista ex-ministros de Bolsonaro, como Anderson Torres (Justiça) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), além de militares de alta patente (por exemplo, os ex-comandantes das Forças Armadas Almir Garnier e Paulo Sérgio Nogueira) e até políticos atualmente eleitos, como o deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin. A Procuradoria descreve que essa rede golpista estava enraizada dentro da estrutura do Estado e contava com a forte influência de setores militares, funcionando de forma hierarquizada e com divisão clara de tarefas entre os conspiradores. Em palavras diretas do texto da denúncia: “Evidenciou-se que os denunciados integraram organização criminosa, cientes de seu propósito ilícito de permanência autoritária no Poder. Em unidade de desígnios, dividiram-se em tarefas e atuaram de forma relevante para obter a ruptura violenta da ordem democrática e a deposição do governo legitimamente eleito”. Essas acusações, se aceitas (e todos os sinais apontam que efetivamente serão), configuram uma resposta jurídica robusta contra a tentativa de golpe, com sólidos fundamentos na Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (Lei 14.197/2021) – marco legal recente que tipifica esses crimes contra a democracia com penas severas, variando de 4 a 12 anos de prisão por golpe de Estado, 4 a 8 anos por abolir violentamente o Estado de Direito, e 3 a 8 anos por integrar organização criminosa.
Impactos Políticos
A iniciativa da PGR de denunciar formalmente Jair Bolsonaro e seus aliados por tentativa de golpe traz consequências políticas profundas e simbólicas. Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aceite a denúncia – o que é esperado, dada a gravidade e a farta evidência apresentada –, Bolsonaro se tornará réu e responderá a um processo penal na mais alta corte do país. Isso representa um fato inédito na história recente brasileira: um ex-presidente no banco dos réus por liderar um complô contra a democracia. As possíveis sanções também não são leves. Somadas, as penas máximas dos crimes imputados ultrapassam 20 anos de reclusão – apenas a previsão de pena pelo crime de golpe de Estado pode chegar a 12 anos, e cálculos iniciais apontam que Bolsonaro poderia enfrentar até 28 anos de prisão se for condenado em todos os delitos indicados. Na prática, uma condenação dessa magnitude significaria o ocaso da carreira política do ex-mandatário. Vale lembrar que Bolsonaro já foi declarado inelegível até 2030 pela Justiça Eleitoral por atentar contra o sistema de votação eletrônica e difundir mentiras sobre o pleito de 2022. Agora, além da inelegibilidade, paira sobre ele a perspectiva concreta de perda da liberdade e da condição de ex-presidente impune.
Para os aliados diretos de Bolsonaro envolvidos na trama golpista, o cenário também é de alto risco e desgaste político. Diversos ex-funcionários de alto escalão e militares influentes estão arrolados na denúncia, o que mancha definitivamente suas biografias e pode levá-los à prisão. O general Braga Netto, apontado como co-líder do núcleo golpista, já se encontra preso preventivamente, ilustrando a seriedade das acusações. Mauro Cid, que atuava como braço direito de Bolsonaro, tornou-se colaborador da justiça (via delação premiada) e forneceu informações que embasaram parte das evidências – inclusive a revelação de que Bolsonaro pediu monitoramento ilegal do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como parte das ações conspiratórias. Figuras como Anderson Torres e Augusto Heleno, outrora ministros de Estado tidos como respeitados em suas áreas, agora precisam se defender da pecha de golpistas perante a Suprema Corte. No campo político-partidário, lideranças conservadoras e de centro-direita tendem a se distanciar de Bolsonaro e do bolsonarismo mais radical após a denúncia – temendo associação com atos antidemocráticos e sua alta reprovação popular. Mesmo dentro do Partido Liberal (PL), legenda de Bolsonaro, vozes moderadas passam a calcular os danos de continuar defendendo o ex-presidente diante de evidências tão graves e da possibilidade de condenação exemplar.
A reação da sociedade brasileira a essas denúncias reforça o isolamento dos conspiradores. A imensa maioria da população reprova os atos golpistas e clama por punição. Pesquisas de opinião recentes mostram que 86% dos brasileiros condenam a invasão e vandalismo de 8 de janeiro de 2023, e 50% acreditam que o próprio Bolsonaro teve participação naqueles eventos violentos. Além disso, 62% da população rejeita qualquer ideia de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos, defendendo que todos os responsáveis sejam responsabilizados nos termos da lei (poder360.com.br). Esses números evidenciam um consenso democrático na sociedade contra aventuras golpistas: não há apoio popular significativo que sustente um projeto autoritário. Ao contrário, a reação pública majoritária é de repúdio e de cobrança por justiça. Inclusive entre eleitores que votaram em Bolsonaro, muitos reprovaram os excessos – investigações e revelações posteriores fizeram com que parte de seus apoiadores mais moderados revissem a confiança nele, percebendo a gravidade de se atentar contra as instituições. Politicamente, portanto, Bolsonaro e seu círculo se veem cada vez mais acuados: sem cargo eletivo, sem apoio institucional relevante e agora sob iminência de um julgamento histórico.
No plano institucional interno, a denúncia da PGR sinaliza o fortalecimento do Estado de Direito no Brasil. A mensagem é clara: ninguém está acima da lei, nem mesmo um ex-presidente da República. Essa postura firme tende a fortalecer a democracia a longo prazo, ao demonstrar que rupturas à ordem constitucional não ficarão impunes. O processo contra Bolsonaro servirá de precedente para dissuadir futuros aventureiros que cogitem ignorar o resultado das urnas ou incitar quarteladas. As Forças Armadas, por sua vez, veem-se obrigadas a reafirmar sua submissão ao poder civil constitucional – após essa experiência, fica patente que qualquer oficial envolvido em conspiração pagará um alto preço, o que protege a profissionalização e apoliticidade das tropas. Em resumo, as consequências políticas para Bolsonaro e seus cúmplices são devastadoras: além do opróbrio público, enfrentam a perspectiva real de punição penal e ostracismo. Por outro lado, as forças democráticas saem revigoradas, com instituições (STF, Ministério Público, Polícia Federal) atuando em harmonia para fazer prevalecer a justiça e a vontade popular.
Repercussão Nacional e Internacional
A denúncia bombástica contra o ex-presidente foi recebida com ampla repercussão tanto no Brasil quanto no exterior. Na imprensa nacional, o caso dominou manchetes e análises, visto como um capítulo decisivo na defesa da democracia brasileira. Jornalistas e comentaristas políticos destacam a robustez da denúncia da PGR e seu caráter histórico – jamais a cúpula de um governo eleito havia sido formalmente acusada de tramar um golpe de Estado no Brasil pós-1985. Grandes veículos de mídia têm tratado os envolvidos explicitamente como “golpistas”, refletindo o entendimento geral de que houve, de fato, uma tentativa coordenada de subversão da ordem democrática. Instituições democráticas internas também manifestaram apoio às medidas legais em curso. No Supremo Tribunal Federal, ministros como Alexandre de Moraes (que conduz diversos inquéritos dos atos antidemocráticos) deixaram claro que “a democracia prevaleceu” sobre os ataques extremistas e que continuarão vigilantes. O presidente Lula e membros do governo atual, embora cautelosos em comentários para não politizar excessivamente o caso, indicaram confiar no trabalho isento das autoridades judiciais. No Congresso Nacional, a reação foi majoritariamente de respeito ao andamento institucional – até opositores de Lula reconheceram a gravidade das acusações. Parlamentares do campo governista elogiaram a atuação da PGR como essencial para “virar a página do golpismo” no Brasil, enquanto parte da direita parlamentar optou pelo silêncio ou por defender o direito de Bolsonaro a um julgamento justo, sem endossar suas ações. O próprio Jair Bolsonaro, ao ser questionado, negou ter qualquer preocupação e tentou minimizar a denúncia, alegando ter “zero preocupação” e insinuando que não haveria provas do chamado decreto do golpe. Entretanto, essa retórica defensiva soa cada vez mais isolada, já que a quantidade de evidências documentadas e depoimentos (como os de Mauro Cid) contraria a versão do ex-presidente. De modo geral, dentro do país a denúncia foi saudada como um passo necessário. Entidades da sociedade civil, incluindo a OAB e organizações de defesa da democracia, emitiram notas apoiando a responsabilização dos envolvidos no complô e ressaltando que justiça seja feita dentro do devido processo legal. O consenso pró-democracia que se formou após os eventos de 8 de janeiro de 2023 se reflete agora em apoio às ações punitivas contra os mentores intelectuais daqueles atos.
No cenário internacional, a resposta à denúncia contra Bolsonaro mantém o tom de defesa da democracia que já se havia manifestado quando da tentativa de golpe. Em janeiro de 2023, imediatamente após as invasões em Brasília, líderes mundiais condenaram veementemente o ataque às instituições brasileiras, classificando-o como “inaceitável” e “uma afronta à democracia”. O presidente dos EUA, Joe Biden, por exemplo, qualificou de “ultrajantes” as ações dos apoiadores radicalizados de Bolsonaro e declarou: “Condeno o atentado à democracia e à transferência pacífica de poder no Brasil. As instituições democráticas do Brasil têm todo o nosso apoio e a vontade do povo brasileiro não deve ser abalada”. Essa postura firme dos Estados Unidos foi acompanhada por declarações similares de diversos chefes de Estado. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que “a vontade do povo brasileiro e das instituições democráticas deve ser respeitada” e garantiu apoio total ao presidente Lula. Já o chanceler alemão, Olaf Scholz, ressaltou que os ataques a poderes da República foram “um ataque à democracia que não pode ser tolerado”. Líderes sul-americanos também se uniram em solidariedade: o chileno Gabriel Boric, o colombiano Gustavo Petro e outros qualificaram as ações de 8 de janeiro como tentativa de golpe e expressaram apoio à resposta legal brasileira. Especial destaque teve a fala do ex presidente da Argentina, Alberto Fernández, sintetizando a visão democrática: “A democracia é o único sistema político que garante as liberdades e nos obriga a respeitar o veredicto popular. Aqueles que tentam desrespeitar a vontade da maioria ameaçam a democracia e merecem não só a sanção legal correspondente, mas também a rejeição absoluta da comunidade internacional”. Fernández repudiou explicitamente o que chamou de “tentativa de golpe” em curso no Brasil e bradou que “nunca mais” se deve permitir o retorno de “fantasmas golpistas” na América do Sul.

Diante da formalização da denúncia agora em 2025, organismos internacionais e a imprensa estrangeira voltaram suas atenções ao Brasil. Matérias em veículos como Reuters, AP e The New York Times destacaram que o Brasil está levando adiante a accountability (prestação de contas) por um golpe frustrado, algo comparado ao processo que ocorre nos EUA em relação ao ataque ao Capitólio em 2021. A diferença notada é que, no caso brasileiro, a cúpula do governo anterior está sendo diretamente implicada e pode enfrentar julgamentos antes mesmo de passados dois anos do incidente. Essa rapidez e determinação das instituições brasileiras renderam elogios de observadores: a comunidade internacional vê as ações da PGR e do STF como sinais de uma democracia madura, capaz de curar suas feridas pelo caminho legal. Diversos analistas internacionais enfatizam que “Brazilian democracy will prevail over violence and extremism” – ou seja, que a democracia brasileira prevalecerá sobre a violência e o extremismo. Não por acaso, em 8 de janeiro de 2024 (no aniversário de um ano do episódio), representações diplomáticas de várias nações democraticamente alinhadas fizeram questão de participar de atos em Brasília em memória da resistência democrática, reforçando o apoio contínuo ao governo Lula e às instituições. Em síntese, a repercussão externa consolida a imagem de que o Brasil rejeitou o golpismo e está punindo seus arquitetos, algo crucial para restaurar a confiança no país como uma nação que respeita o Estado de Direito. Governos e entidades internacionais, da ONU à OEA, indicam acompanhar de perto o desenrolar do caso Bolsonaro, cientes de seu significado para a estabilidade democrática regional. A mensagem global é uníssona: o Brasil deu uma lição ao mundo ao reagir à altura contra ataques antidemocráticos, mostrando que mesmo líderes poderosos devem responder por seus atos ilegais.
Democracia, Desenvolvimento e Liberdade: A Importância da Responsabilização
A firme condenação dos golpistas envolvidos nesse episódio não é apenas uma questão legal, mas um imperativo moral e civilizatório para o Brasil. Tentativas de ruptura institucional como a que ocorreu no final do mandato de Bolsonaro precisam ser repudiadas sem ressalvas por todos que, como nós, prezam a liberdade. Afinal, como bem disse o ex presidente argentino na esteira dos eventos, “a democracia é o único sistema político que garante as liberdades”. Não há desenvolvimento social ou econômico sustentável fora do ambiente democrático. A história brasileira já comprovou, durante os 21 anos de ditadura militar (1964-1985), que a supressão da democracia traz consigo violação de direitos humanos, censura, perseguição política e atraso em múltiplos setores. Permitir que conspiradores contra a República fiquem impunes seria abrir brecha para a volta desses tempos sombrios, que estão tão bem retratados no filme de Walter Salles Ainda Estou Aqui que, oxalá, depois de premiado no Globo de Ouro, será laureado com o Óscar. Por isso, a resposta contundente das instituições – denunciando, processando e (se for o caso) punindo exemplarmente os envolvidos – é fundamental para preservar o Estado de Direito.
Ao aplaudir a denúncia da PGR, não se trata de partidarizar a justiça, mas de defender princípios universais. Golpes de Estado são, por natureza, ataques contra toda a sociedade, pois destroem a confiança no voto e colocam em risco as liberdades individuais de cada cidadão. No Brasil de hoje, felizmente, a vasta maioria da população compreende que não há espaço para salvadores da pátria que queiram vencer no tapetão aquilo que perderam junto ao povo e comprovado nas urnas. As pesquisas deixam claro que os brasileiros querem justiça. Não à vingança, mas sim à justiça firme. Isso significa ver responsabilizados todos aqueles que orquestraram ou incentivaram atos de violência política, para que sirva de lição. Como registrou a Procuradoria-Geral da República em sua denúncia, os agentes dessa trama dividiram tarefas e atuaram para “a deposição do governo legitimamente eleito” – um ato gravíssimo de traição à Pátria e à Constituição. Uma democracia que se preze não pode tolerar traidores de seus princípios basilares.
É importante frisar que a condenação dos golpistas não é uma questão de esquerda ou direita, mas sim de civilização versus barbárie institucional. Num regime democrático, adversários políticos disputam projetos dentro das regras do jogo, não tentam destruir o tabuleiro. Ao punir Bolsonaro e seus cúmplices (caso as acusações se provem em julgamento), o Brasil envia uma mensagem inequívoca: nenhum projeto de poder vale mais que a democracia. Esse é um valor inegociável. Governos vêm e vão, partidos ganham e perdem eleições, mas as instituições e a legalidade devem permanecer. Para além da retórica, a efetiva aplicação da lei nos crimes golpistas reforçará a confiança do povo no Judiciário e no Ministério Público, mostrando que nossas instituições aprendem e reagem à altura dos desafios.
Por fim, ao condenarmos veementemente os golpistas, ressaltamos a importância da democracia para o desenvolvimento da sociedade e a liberdade individual. Somente em democracia há espaço para o pluralismo, para a divergência respeitosa, para a crítica aos governantes sem medo de represálias. É no ambiente democrático que a economia tende a florescer de forma inclusiva, pois há estabilidade jurídica e participação popular nas decisões. Cada cidadão comum sente os benefícios da democracia no dia a dia – seja podendo expressar sua opinião livremente, seja podendo empreender, estudar e buscar prosperidade num país regido por leis justas e não pelos caprichos de um ditador. Defender a democracia é defender a nós mesmos, nossos direitos e nosso futuro.
Os responsáveis pela tentativa de golpe de 2022/2023 atacaram o coração dessas liberdades e, portanto, devem enfrentar as consequências legais máximas. O Brasil de hoje demonstra maturidade ao não varrer esse gravíssimo atentado para debaixo do tapete. Ao contrário, expõe a verdade, responsabiliza os culpados e reforça as bases para que nunca mais se ouse rasgar a Constituição por ambição autoritária. Como consta em nossa Carta Magna de 1988, nas palavras do saudoso Dr. Ulysses Guimarães: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria”. Jair Bolsonaro e seu grupo, ao tramarem contra a Constituição, traíram a Pátria; agora, cabe à Pátria, por meio de suas instituições, fazer justiça. E assim o Brasil seguirá em frente – mais forte, mais alerta e ainda mais comprometido com a democracia, a única via legítima para o desenvolvimento e a liberdade de seu povo.
Essas manifestações reforçam a legitimidade e a necessidade de condenar firmemente os golpistas, em nome da lei e da liberdade. O que trato aqui vale para a nossa Guarujá, para toda a Baixada Santista, para todo o Brasil e para todos os povos que elejam a democracia como forma ideal de governo. Viva a democracia!
*José Manoel é pós-doutor em Engenharia, jornalista, cientista político, escritor e advogado, com uma destacada trajetória na defesa de áreas cruciais como transporte, sustentabilidade, habitação, educação, saúde, assistência social, meio ambiente e segurança pública. Ele é o fundador da FerroFrente, uma iniciativa que visa promover o transporte ferroviário de passageiros no Brasil, e da Associação Água Viva, que fortalece a participação da sociedade civil nas decisões do município de Guarujá. Membro do Conselho Deliberativo da EngD
A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral, Paulo Gonet, ao longo de 272 páginas. Agora, ela vai ser apreciada pelo ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, Supremo Tribunal Federal (STF).
Veja a íntegra da denúncia da PGR contra Bolsonaro:
Foram fontes: A denúncia da PGR, a cobertura do caso pela mídia mais abalizada do país, detalhando acusações, provas e envolvidos. Relatórios da Polícia Federal, que embasaram as imputações com evidências do plano golpista. Pesquisas de opinião que corroboram a rejeição popular ao golpismo e o apoio à responsabilização dos culpados. Comunicados da comunidade internacional que, por sua vez, condenou os ataques à democracia brasileira em uníssono – líderes como Joe Biden e Alberto Fernández expressaram repúdio e defenderam a democracia como garantia das liberdades.