Ir para o conteúdo
  • Home
  • Quem é José Manoel
  • Livros
    • Publicações
    • Indicação de Livros
  • Frentes de Atuação
    • Propostas para o Guarujá
    • Paixão Corinthiana
  • Artigos
  • Mídias
    • Fotos
    • Vídeos
    • Audiobook
    • Imprensa
  • Contato
  • Home
  • Quem é José Manoel
  • Livros
    • Publicações
    • Indicação de Livros
  • Frentes de Atuação
    • Propostas para o Guarujá
    • Paixão Corinthiana
  • Artigos
  • Mídias
    • Fotos
    • Vídeos
    • Audiobook
    • Imprensa
  • Contato
Instagram Youtube Twitter Facebook Linkedin

ESQUERDA E DIREITA NO DIÁLOGO

  • maio 8, 2026

Compartilhe:

Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Engenheiro, advogado e jornalista

A esquerda e o espelho distorcido

Judith Butler pisou em Barcelona para receber um doutorado honoris causa e deixou claro o que pensa sobre os tempos sombrios. A filósofa norte-americana, referência mundial em teoria feminista, alertou algo que incomoda progressistas em todo o planeta e que muitos preferem ignorar. A esquerda erra ao tratar eleitores da direita como inimigos. Butler não defende capitulação nem renúncia de valores. Aponta uma cegueira estratégica que custa eleições e alimenta o autoritarismo.

A entrevista ao jornal espanhol El Diario, reproduzida no Brasil pelo Opera Mundi, ganha contornos urgentes para quem observa a política nacional. Aqui, a polarização afetiva consome apenas onze por cento do eleitorado, segundo pesquisa da More in Common e Quaest divulgada em 2025. O restante, os chamados invisíveis, evita o confronto ideológico e anseia por respostas práticas. São trabalhadores que votam na direita não por ódio, mas por medo concreto do desemprego, da insegurança alimentar e da violência urbana.

Dialogar com trabalhadores

Butler elogiou a campanha de Zohran Mamdani à prefeitura de Nova York. O democrata, filho de imigrantes muçulmanos e de perfil progressista, fez algo raro na política americana. Conversou com eleitores de Trump sem arrogância. Perguntou o que os assustava e o que esperavam do governo. Não os rotulou de fascistas. Descobriu pessoas com problemas cotidianos, preocupadas com aluguel e transporte. Mamdani propôs políticas públicas claras para a classe trabalhadora e venceu.

A lição vale para o Brasil. A pesquisa O Brasil Invisível mostra que cinquenta e quatro por cento dos eleitores rejeitam rótulos ideológicos. São negros, pobres, católicos, muitos com insegurança alimentar. Compartilham valores conservadores nos costumes, mas defendem com firmeza políticas econômicas progressistas. Querem emprego, saúde e segurança. Não querem sermões.

O voto na direita

A esquerda brasileira comete o erro de confundir voto com caráter. Trabalhadores que escolhem candidatos de direita não abandonam sua condição de explorados nem deixam de sofrer com a precariedade. Muitos foram seduzidos por discursos que prometem ordem num mundo que parece caótico demais. Outros simplesmente não se reconhecem na linguagem acadêmica e identitária dos progressistas militantes. Butler avisou que a postura intelectualizada soa elitista. Parece que a esquerda se considera mais esperta que o povo que precisa dela. Isso gera rejeição ativa.

A More in Common detectou que setenta por cento dos invisíveis rejeitam pautas identitárias quando impostas de cima. Não é conservadorismo irracional. É sobrevivência. Quando alguém luta para pagar o aluguel, a prioridade é a conta, não a discussão teórica sobre gênero. A esquerda precisa ouvir antes de falar e aprender com quem vive a realidade.

O caminho da escuta

Judith Butler propõe algo simples e radical ao mesmo tempo. A esquerda deve dialogar com quem pensa diferente. Isso não significa abandonar princípios nem trair a história de luta social. Significa reconhecer que os medos não atendidos viram ódio e alimentam os piores políticos. O medo da migração, a desconfiança na democracia, a sensação de abandono. Tudo isso alimenta extremistas que surfam na raiva.

A boa notícia é que o Brasil não está irremediavelmente dividido. Onze por cento polarizados fazem barulho, mas não representam a nação. Há oitenta e oito milhões de invisíveis esperando propostas concretas. A esquerda que souber falar de trabalho, dignidade e comida na mesa reconstruirá pontes. A que insistir em rotular e condenar continuará pregando para convertidos.

A democracia brasileira precisa de renovação urgente. E a renovação começa na humildade de quem sabe que não tem todas as respostas.

Declaração de fontes: este artigo baseia-se na entrevista concedida por Judith Butler ao jornal El Diario, publicada pelo Opera Mundi em maio de 2026, além de dados da pesquisa O Brasil Invisível, realizada pela More in Common em parceria com a Quaest em 2025, e de análises do Instituto Unisinos e da revista Veja.

José Manoel Ferreira Gonçalves

José Manoel Ferreira Gonçalves

Engenheiro, advogado, jornalista e cientista político. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes pela Universidade de Lisboa, ocupa a cadeira nº 13 da Academia Mackenzista de Letras. É autor de 18 livros que transitam entre engenharia, política, sustentabilidade e ética pública.

Foi professor, pesquisador, colaborador em órgãos ambientais e repórter da Rádio Jovem Pan. Fundador da FerroFrente, Frente pela Volta das Ferrovias e da Água Viva, Associação Guarujá Viva. Coordenador Licenciado do EPD-Movimento Engenheiros pela Democracia e do SOS Planeta.

Saiba mais sobre o autor

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Quer falar com o José Manoel?

Preencha o formulário com seus dados e nos envie uma mensagem e em breve retornaremos.

Instagram Youtube Twitter Facebook Linkedin
  • Home
  • Quem é José Manoel
  • Livros
    • Publicações
    • Indicação de Livros
  • Frentes de Atuação
    • Propostas para o Guarujá
    • Paixão Corinthiana
  • Artigos
  • Mídias
    • Fotos
    • Vídeos
    • Audiobook
    • Imprensa
  • Contato
Contato
  • contato@josemanoelfg.com.br
Whatsapp