Entidades da engenharia pedem ao Presidente da República suspensão preventiva da aquisição da AKAER pelo grupo EDGE

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Ofício enviado pela Engenharia pela Democracia e pelo Clube de Engenharia alerta para possíveis impactos na soberania tecnológica brasileira, na Base Industrial de Defesa e no polo de engenharia aeroespacial de São José dos Campos

A Engenharia pela Democracia (EngD) e o Clube de Engenharia encaminharam ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um ofício solicitando a suspensão preventiva da aquisição integral da AKAER Engenharia S.A. pelo grupo EDGE, conglomerado estatal de defesa dos Emirados Árabes Unidos.

O documento, datado de 23 de julho de 2026, apresenta uma manifestação institucional das entidades sobre os possíveis impactos da operação para a soberania tecnológica brasileira, a engenharia nacional e a Base Industrial de Defesa (BID).

Segundo o ofício, a transferência do controle da empresa poderia representar riscos relacionados à proteção de conhecimentos estratégicos, propriedade intelectual, capacidade de inovação, permanência de profissionais especializados e autonomia brasileira no desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais e de defesa.

As entidades solicitam que o governo federal suspenda preventivamente a operação até que órgãos técnicos competentes realizem uma avaliação aprofundada sobre os possíveis efeitos da aquisição.

AKAER é apontada como empresa estratégica para a engenharia brasileira

No documento encaminhado à Presidência da República, a EngD e o Clube de Engenharia destacam a trajetória da AKAER Engenharia S.A., empresa sediada em São José dos Campos (SP), com mais de 30 anos de atuação no setor aeroespacial.

As entidades afirmam que a empresa acumulou mais de 10 milhões de horas de engenharia aeroespacial de alta complexidade e participou de projetos considerados estratégicos para o país, entre eles o desenvolvimento do caça F-39 Gripen, do cargueiro multimissão KC-390 e a modernização da viatura blindada de reconhecimento EE-9 Cascavel.

Na avaliação apresentada no ofício, a relevância desses projetos coloca a AKAER em uma posição sensível dentro da cadeia tecnológica ligada à defesa nacional.

Alerta sobre soberania tecnológica e Base Industrial de Defesa

Entre os principais pontos levantados pelas entidades está a preocupação com a preservação da capacidade brasileira de desenvolver e controlar tecnologias consideradas estratégicas.

O documento afirma que a aquisição poderia afetar áreas como:

  • propriedade intelectual desenvolvida no Brasil;
  • códigos-fonte e informações técnicas sensíveis;
  • segredos industriais;
  • conhecimento acumulado por engenheiros e especialistas;
  • continuidade de projetos vinculados à defesa nacional.

A manifestação também aponta preocupação com a possibilidade de perda de profissionais altamente qualificados e com um eventual enfraquecimento do polo tecnológico de São José dos Campos, região que concentra empresas, centros de pesquisa e especialistas do setor aeroespacial.

Participação do grupo EDGE no setor de defesa brasileiro

O ofício menciona que o grupo EDGE, dos Emirados Árabes Unidos, já possui presença em empresas brasileiras do setor de defesa.

Segundo as entidades, o conglomerado possui participação de 50% na SIATT, empresa especializada em sistemas de armas inteligentes e mísseis, além do controle da Condor, ligada ao desenvolvimento de tecnologias não letais.

Para a EngD e o Clube de Engenharia, a aquisição integral da AKAER ampliaria a participação estrangeira em segmentos considerados estratégicos da indústria brasileira de defesa.

Entidades pedem salvaguardas e análise do governo federal

Entre as medidas solicitadas ao presidente da República estão a suspensão administrativa da operação até a conclusão de uma avaliação técnica, a adoção de salvaguardas para proteção tecnológica e mecanismos para garantir a permanência do conhecimento especializado no Brasil.

O documento também solicita fiscalização do cumprimento dos requisitos legais aplicáveis às Empresas Estratégicas de Defesa (EED), com referência à Lei nº 12.598/2012 e à Estratégia Nacional de Defesa.

As entidades defendem ainda que sejam analisados possíveis impactos sobre a autonomia das Forças Armadas brasileiras, especialmente em relação ao desenvolvimento, manutenção e suporte de sistemas de defesa.

A manifestação agora depende da análise dos órgãos competentes do governo federal sobre os impactos da operação para a indústria nacional de defesa, a engenharia brasileira e a preservação de capacidades tecnológicas consideradas estratégicas.

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