Engenharia: Pilar de Igualdade e Progresso Nacional

Compartilhe:

Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Currículo: https://bit.ly/3U8Ltol

Engenharia como Direito Fundamental

Em um mundo cada vez mais urbanizado e complexo, a engenharia destaca-se não apenas como um elemento vital para o desenvolvimento nacional, mas também como um meio essencial para a redução de desigualdades. A população merece e tem direito à engenharia de qualidade, o que coloca esta disciplina ao lado de outros direitos básicos como saúde e educação. À engenharia cabe a responsabilidade de planejar e organizar os espaços em que vivemos – cidades, condomínios, hospitais, residências e escolas. Tudo que envolve o ser humano, de certa forma, envolve a engenharia e suas múltiplas capacidades de transformação.

O Planejamento como Ferramenta de Inclusão

Engenheiros, em sua prática profissional, detêm o poder de moldar sociedades. De acordo com essa premissa, é imperativo que o planejamento urbanístico e a construção de infraestruturas tenham como objetivo a democratização do acesso e a promoção da equidade social. Quando projetos de engenharia são concebidos sob a perspectiva da inclusão e da sustentabilidade, eles proporcionam mais do que conforto e funcionalidade: originam igualdade de oportunidades, reforçando o compromisso ético da profissão com todos os estratos da sociedade.

A Transparência nas Instituições de Engenharia

Dada a importância da engenharia para a coletividade e para a garantia de direitos, torna-se crucial exigir transparência e prestação de contas das instituições que regulamentam a prática profissional, como o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e o CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Estas entidades devem atuar democraticamente e com total clareza em suas ações, refletindo os anseios e a fiscalização da sociedade. A transparência é a base para que haja confiança no trabalho do engenheiro e, consequentemente, no potencial de suas obras para o desenvolvimento justo e equitativo.

Para que se tenha uma ideia, Bruno Dantas, presidente do tribunal de contas, foi convidado a fazer uma palestra magna no CREA, e na frente de mil a mil e quinhentas pessoas ele puxou a orelha do sistema, a maioria engenheira(o)s, mostrando aquele era apenas o vigésimo quarto em transparência entre as instituições.

A Engenharia no Centro do Desenvolvimento Sustentável

A engenharia moderna está inextricavelmente ligada aos desafios do desenvolvimento sustentável. Ela é a chave para a criação de soluções inovadoras que equacionem crescimento econômico, cuidado com o ambiente e bem-estar social. Nesse sentido, o papel do engenheiro expande-se, impondo a necessidade de considerar o impacto ambiental e social de cada projeto. A prática da engenharia, portanto, exige uma constante atualização e uma profunda compreensão das necessidades atuais e futuras da humanidade.

Exigindo Responsabilidade e Ética Profissional

Não se pode negligenciar o papel ético e a responsabilidade social dos engenheiros na construção de um mundo mais justo. A ética profissional envolve a adoção de práticas que assegurem a segurança, a saúde e o bem-estar da população, empregando conhecimentos tecnológicos e científicos para solucionar problemas reais que afligem comunidades. Neste contexto, é fundamental que as entidades de classe estejam à altura de suas responsabilidades, estabelecendo padrões de conduta e exercendo vigilância para que os princípios éticos sejam a bússola das atividades de engenharia.

Chamamento Democrático às Entidades Reguladoras

Este artigo é um apelo enfático pela democracia e pela transparência dentro das organizações que regulam a engenharia no Brasil. Reitero o convite para que CREA e CONFEA assumam sua parte na construção de uma sociedade mais justa, oferecendo visibilidade de suas ações e alocação de recursos. A sociedade civil, beneficiária final e razão de ser de todo o trabalho de engenharia, deve poder confiar nestas instituições e participar ativamente do processo de fiscalização e direcionamento de suas atividades.

José Manoel Ferreira Gonçalves é Engenheiro, Advogado, Escritor e jornalista. Presidente da Ferrofrente, Frente Nacional pela Volta das Ferrovias e da Agua-viva, Associação Guarujá Viva.

Este artigo reflete um chamado para um novo padrão de engenharia que seja simultaneamente técnico, socialmente responsável e democraticamente gerenciado, e é baseado na análise crítica dos papéis de entidades reguladoras de engenharia e na consulta de fontes confiáveis e noticiários recentes.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email