CORINTHIANS AFUNDA EM DÍVIDAS ENQUANTO SEUS DIRIGENTES DISPUTAM O CAMPEONATO DE QUEM AFASTA QUEM PRIMEIRO

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 Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Engenheiro, advogado e jornalista
Sócio do Corinthians desde 1982, #55paixaocorinthiana, #zemanoel

O Colosso do Parque São Jorge virou prédio abandonado em leilão. A dívida do Corinthians alcançou R$ 2,8 bilhões no final de 2025. O déficit operacional projetado para o ano atinge R$ 272 milhões. O clube sofre transfer ban da Fifa por inadimplência com o Santos Laguna. Funcionários não receberam a primeira parcela do décimo terceiro salário no prazo combinado. A grama da Neo Química Arena cresce sobre uma gestão falida.

Enquanto o clube afunda em dívidas

Romeu Tuma Jr. ocupou o noticiário nos últimos meses por motivos errados. A Comissão de Ética e Disciplina do clube determinou sua suspensão preventiva da presidência do Conselho Deliberativo em abril de 2025. A oficialização saiu apenas em maio. Tuma Jr. enfrenta seus fantasmas por ter promovido a exclusão arbitrária de conselheiros e exibir conduta depreciativa contra pares. O relator Mario Mello Júnior e mais dois membros votaram pelo afastamento. Um único voto contrário não impediu a queda.

O presidente do Conselho conduziu pessoalmente o impeachment de Augusto Melo. Reuniu os pares para reprovar as contas de 2024. Apresentou números que revelavam gastos descontrolados e receitas em queda livre. Agora ele próprio aguarda julgamento final sobre sua conduta ética. A ironia não escapa aos torcedores que acompanham os bastidores. O algoz de ontem se deita sob a guilhotina hoje.

Tuma Jr. tentou justificar a suspensão de investigações sobre cartões corporativos usados por ex-presidentes. Argumentou segurança jurídica e segredo de justiça. Pediu que a diretoria executiva oficiasse o Poder Judiciário. A medida paralisou apurações contra Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e ao no mais excelente Augusto Melo. Alegou proteção aos conselheiros voluntários. Na prática, criou escudo para os companheiros de cadeira.

O campeonato de quem afasta primeiro

Augusto Melo não permaneceu calado. Indiciado pela Polícia Civil por lavagem de dinheiro no caso da patrocinadora Vai de Bet, ele recorreu a liminares para barrar o próprio impeachment. Perdeu. O Conselho Deliberativo aprovou seu afastamento por 176 votos contra 57. Osmar Stabile assumiu interinamente.

Os ataques de Tuma Jr. contra Melo revelam um padrão doentio. Dirigentes tratam o Corinthians como propriedade particular. Agem com truculência contra dissidentes. Silenciam críticos em grupos oficiais. Excluem vozes divergentes das decisões estratégicas. O comportamento agressivo contra adversários políticos contrasta com a inércia absoluta diante da crise financeira. Nenhum deles apresentou plano viável para sanear as contas. Nenhum cortou a própria estrutura de poder antes de exigir sacrifícios dos funcionários.

Os demais diretores completam o quadro de omissão. Osmar Stabile chegou prometendo estabilidade. Contratou Marcelo Paz como executivo de futebol. Anunciou reestruturação administrativa. No entanto, o déficit mensal continua sangrando os cofres. A receita caiu 23% em 2025. As despesas subiram 5%. O rombo operacional saltou de R$ 293 milhões para projeções catastróficas.

A omissão dos cúmplices

O Conselho Deliberativo inteiro carrega culpa no cartório. Permaneceu mudo enquanto o endividamento explodia. Aprovou contratos milionários sem garantias de receita. Deixou a Arena Neo Química sugar R$ 700 milhões da Caixa Econômica. Toda bilheteria desaparece no financiamento do estádio sem reduzir o principal devido. Os juros comem o clube vivo.

Romeu Tuma Jr. Mostrou a que veio ao usar o cargo para perseguir opositores. E mesmo Augusto Melo Pode ter algum pecadilho. Os conselheiros que votaram a favor ou contra ambos erraram ao não enxergar o óbvio. O Corinthians não é playground de advogados e engenheiros aposentados em busca de holofotes. É instituição centenária que emprega centenas e emociona milhões.

A torcida exige resultados em campo e honestidade na contabilidade. Recebe apenas notificações de protestos na Fazenda Nacional. R$ 56 milhões em tributos federais atrasados. Multas trabalhistas. Dívidas com lixeiras e fornecedores de lanche. O time venceu a Copa do Brasil e conquistou vaga na Libertadores. A diretoria transformou essas conquistas em poeira contábil.

Quando dirigentes disputam o poder absoluto, a instituição perde sempre. O Corinthians precisa de gestores que reduzam a máquina administrativa. Que vendam ativos supérfluos. Que renegociem dívidas com credores reais e não com bancos fantasmas. Que trabalhem para o clube e não para currículo político pessoal.

A história recente mostra homens que confundiram a camisa alvinegra com trampolim pessoal. Trocaram a responsabilidade fiscal por vingança partidária. Preferiram afastar adversários a afastar o clube da falência. O resultado está aí. R$ 2,8 bilhões de débitos. Transfer ban. Funcionários sem 13º salário. E um conselho deliberativo que continua disputando o campeonato de quem afasta quem primeiro.

Declaração de fontes: As informações sobre dívidas, déficits e instabilidade política foram obtidas por meio de consulta a reportagens do ge.globo, CNN Brasil, UOL, Lance! e Estadão, além de dados financeiros oficiais do clube e processos em andamento na Comissão de Ética do Corinthians.

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