PARTIDO PAÍS
Partido da Igualdade e Sustentabilidade
Compatriotas,
NENHUMA NAÇÃO ENRIQUECE SOBRE A MISÉRIA DO PRÓPRIO POVO. O capitalismo move-se pelo consumo, e um povo pobre não consome. Quem não consome não sustenta a produção, e a produção que ninguém compra encolhe. Sobra a um país assim um destino subalterno: vender matéria-prima a quem soube enriquecer. O Brasil conhece bem esse papel. Exporta soja, minério e carne, e compra do estrangeiro todos os produtos com valor agregado.
Daí a premissa que funda o Partido PAÍS [Partido da Igualdade e Sustentabilidade]: sem igualdade não existe desenvolvimento. Não é caridade. É aritmética. Cada brasileiro que escapa da pobreza vira consumidor, e cada
consumidor novo move uma fábrica, sustenta um emprego e alarga o mercado interno que nenhum tratado externo nos garante.
Como se constrói essa igualdade? Por etapas, e sem ilusão de atalho. No primeiro tempo, transferência de renda, porque há fome que não espera o ciclo econômico amadurecer. No tempo seguinte, emprego: qualificação de mão de obra, atração de capital para os projetos de que o país de fato precisa, indústria que gere valor e não apenas folha de pagamento.
A igualdade repousa também sobre três pilares que o mercado sozinho não entrega. Escola pública e gratuita, porque o talento nasce em toda parte e só a instrução o liberta. Saúde pública e gratuita, porque doente não produz. Segurança que funcione, porque todos merecemos viver e desfrutar do que conquistamos, sem contar o lado pragmático de que o assassinado não volta ao trabalho na segundafeira.
Acima de tudo está a sustentabilidade. Não o ambientalismo de vitrine, mas a autossuficiência possível: um país que dependa menos do que importa sem se fechar ao mundo, que dispute o mercado externo e ao mesmo tempo aprenda a bastar-se. Veja o paradoxo. O Brasil tem terra, sol e safra para alimentar nações inteiras, e mantém uma multidão faminta dentro das próprias fronteiras. Stefan Zweig nos batizou de país do futuro. Faz quase um século que adiamos a entrega.
Um país faminto não prospera, e país que não prospera tem soberania de papel. O fraco não escolhe seus rumos. Obedece. Por isso a igualdade, no nosso programa, não se opõe à grandeza nacional. É a condição dela.
O caminho não é inédito. Trabalhamos de baixo para cima, por fases, à maneira do que a China fez a partir dos anos 1980. Liberdade de iniciativa para todos, sim, mas um liberalismo com freio. A iniciativa privada precisa de responsabilidade. Precisa produzir o que a nação carece, não só o que rende mais no trimestre. O modelo existe, foi testado e deu certo. Pode nos arrancar da condição eterna de promessa.
Há uma frente nova de ataque, e não vem por terra nem por mar. Vem pela rede. Quem ainda confia a soberania aos canhões não entendeu o século. Vivemos a era da guerra digital e já pagamos caro por subestimá-la. A Lava Jato prendeu corruptos verdadeiros, e nenhum homem honesto nega isso. Prender corrupto, porém, nunca foi o alvo último dela. O alvo dela foi o petróleo que interessava a mãos estrangeiras, foi destruir as empreiteiras que venciam concorrências mundo afora, a indústria de proteína que disputava mercados e os perdeu. Conseguiram
tudo isso pela fabricação do consenso, pela manipulação da opinião pública. E a arma mais letal desse arsenal, hoje, é digital.
As gigantes digitais precisam de regra. Ou atuam dentro do interesse do Brasil, ou deixam o Brasil. Não falta ao país capacidade para criar as próprias plataformas e se proteger. A China apontou o rumo na engenharia, na economia e no desenvolvimento humano, e não vejo vergonha em estudar quem venceu. Não para copiar sem juízo. Para nos orientar, enquanto o velho liberalismo predador dos Estados Unidos rui à nossa vista. A Europa inteira hesita, presa ao mesmo modelo gasto. A Rússia, miserável nos anos 1990, voltou a pesar no mundo desde que elegeu um nacionalismo verdadeiro. A Ásia virou laboratório de possibilidades. O futuro mudou de endereço, e nós ainda lemos o mapa antigo.
Chegamos ao nome. O partido se chama País por uma única razão: patriotismo. Não o patriotismo de fantasia. Patriotismo não é vestir a bandeira no corpo nem cantar o hino com a mão no peito. Ser patriota é trabalhar pela pátria e pelo semelhante. É recusar o saque estrangeiro travestido de modernidade. O resto é folclore.
A quem falamos? Aos patriotas de verdade. Não aos que se prendem à bandeira sem programa, sem economia, sem projeto de nação. O moralismo não cura ninguém, não enche barriga, não tira um brasileiro da pobreza. É atraso comcara de virtude. E não cabe ao governo vigiar a consciência alheia. O Estado é laico. A tarefa do governo é uma só: fazer leis justas e cumpri-las.
O Brasil não precisa de mais hinos. Precisa de comida, de escola, de hospital, de trabalho e de rede própria. Precisa parar de ser o país do futuro para enfim ser um país no presente. O Partido País nasce para isso, e convoca cada brasileiro que ainda recusa a condição de colônia a fazer da igualdade o caminho e da soberania o
destino.
JOSÉ MANOEL FERREIRA GONÇALVES
Partido País