Calamidade na gestão hídrica em Guarujá, por José Manoel Gonçalves

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Guarujá vive pressão no abastecimento, e o debate precisa entrar em metas, obras, redução de perdas e transparência após mudanças na Sabesp.

O abastecimento que define a cidade

O Guarujá depende de água regular para proteger a saúde, sustentar o turismo e manter a economia local viva. Além disso, quando a torneira falha, a conta chega em forma de comércio travado, escola improvisando rotina e família armazenando água sem segurança. Por isso, a gestão hídrica precisa tratar o abastecimento como infraestrutura essencial, e não como tema de ocasião. Assim, qualquer plano sério começa com diagnóstico, cronograma e metas públicas de curto, médio e longo prazo.Play Video

Gestão hídrica Guarujá Sabesp

O debate ganhou ruído depois das mudanças de controle na companhia, e, com isso, muitos moradores enxergam um descompasso entre discurso e entrega. Além disso, críticos apontam que a privatização priorizou engenharia financeira e abriu espaço para narrativas de “eficiência” sem explicar, com clareza, quais obras saem do papel

primeiro. Por conseguinte, quando circula a afirmação de “quase R$ 4 bilhões de sobra de caixa imediata” na operação, a população exige transparência sobre destino, contrapartidas e prioridades. Assim, a gestão pública estadual precisa responder com documentos, e não com slogans, porque a água não espera calendário político.

Quando o clima vira desculpa

Ainda assim, parte da comunicação oficial costuma empurrar a responsabilidade para o consumidor, e, com isso, pede redução generalizada e culpa “São Pedro” quando o sistema falha. Entretanto, clima sempre influencia, mas gestão decide o impacto real, porque planejamento reduz risco e improviso multiplica crise. Portanto, além de campanhas de uso consciente, a cidade precisa ver ações concretas, como redução de perdas, setorização de rede, combate a vazamentos e reservação suficiente para picos de demanda. Além disso, um sistema bem gerido mede pressão, rastreia rompimentos e publica indicadores, e, assim, constrói confiança com fatos verificáveis.

Gestão hídrica Guarujá Sabesp

Por isso, o centro da discussão deve migrar da moralização do consumo para a eficiência do sistema, porque o morador não controla adutoras, estações e contratos. Além disso, dados nacionais historicamente mostram perdas elevadas em redes de distribuição no Brasil, e, assim, cada ponto percentual de perda vira água “produzida e não entregue”. Logo, se a operação não reduz perdas com metas anuais, a gestão transfere custo para a população por meio de racionamento informal, caminhão-pipa e compras extras. Consequentemente, a prefeitura também precisa sair do papel de espectadora e atuar com fiscalização local, defesa civil, cobrança regulatória e integração com comitês de bacia da região.

Plano, metas e prestação de contas

Em seguida, o caminho mais honesto passa por três compromissos públicos: obras priorizadas, metas mensais e prestação de contas simples. Além disso, a concessionária deve publicar cronograma de investimentos por bairro, além de indicadores de continuidade, qualidade e tempo de resposta a vazamentos. Assim, o governo estadual precisa explicar, com números, como a operação societária melhora o serviço, e, ao mesmo tempo, quais garantias protegem o usuário em períodos críticos. Por fim, a população pode cobrar formalmente informações e resultados de prefeitura, reguladora e concessionária, porque transparência reduz propaganda e aumenta responsabilidade.

José Manoel Ferreira Gonçalves é Engenheiro Civil, Advogado, Jornalista, Cientista Político e Escritor. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes (Universidade de Lisboa). É fundador e presidente da FerroFrente e da Associação Água Viva, coordenador do Movimento Engenheiros pela Democracia (EPD) é um dos fundadores do Portal de Notícias Os Inconfidentes, comprometido com pluralidade e engajamento comunitário.

Artigo publicado no JORNAL GGN em 30/12/2025

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