A TECNOLOGIA CONTRA A SOBERANIA

Compartilhe:

Por José Manoel Ferreira Gonçalves
Engenheiro, advogado e jornalista

Ainda no alvorecer de 3 de janeiro de 2026 o mundo assistiu a uma cena que parecia saída de um thriller político, mas que era a realidade crua da nossa América Latina. Militares norte-americanos sequestraram o presidente Nicolás Maduro em uma operação ilegal comandada por Donald Trump. Foram apenas 59 minutos que mudaram o destino de uma nação vizinha e acenderam um alerta global sobre o que resta da ordem internacional. Este texto não busca debater se Maduro era um ditador ou um democrata. Meu objetivo é discutir a soberania inalienável de um povo para resolver seus próprios dilemas sem interferência externa.

O impacto da Tecnologia Avançada Inovação

A operação “Determinação Absoluta” mobilizou 150 aeronaves e forças de elite como os Night Stalkers. Mais do que força bruta, o ataque demonstrou o poder assustador da Tecnologia Avançada voltada à guerra cibernética. Os comandos de Washington silenciaram os radares venezuelanos e derrubaram o sistema elétrico de Caracas antes da primeira bota tocar o solo. Enquanto isso, em Fort Tiuna, 40 venezuelanos perdiam a vida tentando proteger a sede do governo contra soldados estrangeiros. Essa superioridade tecnológica não serve para libertar povos, mas para impor a “Doutrina Donroe”, uma versão radicalizada da velha Doutrina Monroe.

O verdadeiro crime, no entanto, ocorre há anos através do bloqueio internacional. Essa estratégia asfixia a economia venezuelana e engessa qualquer tentativa de desenvolvimento nacional. O governo dos Estados Unidos utiliza sanções para punir a população e forçar uma mudança de regime que atenda aos seus interesses no petróleo. A Venezuela possui as maiores reservas certificadas do planeta, e Washington deseja controlar essa riqueza custe o que custar. Esse cerco financeiro impede que o país utilize sua própria capacidade de inovação para superar crises internas.

Soberaniae Tecnologia Avançada Inovação

Precisamos olhar para o papel do Brasil nesse cenário turbulento. Nossa diplomacia cometeu erros graves desde 2024 ao fragilizar a integração regional. Lula não reconheceu o resultado das conturbadas eleições e vetou o ingresso do vizinho no BRICS, o que isolou ainda mais a pátria de Bolívar. Agora, o Itamaraty condena o sequestro e reconhece Delcy Rodríguez como encarregada da presidência, tentando corrigir o rumo. Contudo, a lição permanece: a autonomia regional não pode ser refém da Tecnologia Avançada de potências imperiais.

A saída para o impasse venezuelano deve ser política e interna. Donald Trump blefa ao dizer que vai governar o país, pois não possui apoio popular em terra. O chavismo mantém seu núcleo dirigente unido e a militância já ocupa as ruas de Caracas em sinal de resistência. Se permitirmos que o sequestro de um presidente se torne prática comum, nenhuma nação do Sul Global estará segura. A soberania é a pele que protege o corpo de uma nação, e não podemos permitir que ela seja rasgada por interesses estrangeiros.

O dever da auto determinação regional

A solidariedade à Venezuela hoje é, acima de tudo, uma defesa do direito internacional. Devemos exigir a libertação imediata de Maduro e o fim das agressões militares que ferem a autodeterminação. O povo venezuelano merece a chance de construir seu futuro livre de bloqueios que matam e de armas que silenciam a vontade popular. Somente o respeito mútuo e a paz soberana garantirão o progresso que tanto almejamos para o nosso continente.

*José Manoel Ferreira Gonçalves é Engenheiro Civil, Advogado, Jornalista, Cientista Político e Escritor. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes (Universidade de Lisboa). É fundador e presidente da FerroFrente e da Associação Água Viva, coordenador do Movimento Engenheiros pela Democracia (EPD) é um dos fundadores do Portal de Notícias Os Inconfidentes, comprometido com pluralidade e engajamento comunitário.

Declaração de Fontes: As informações apresentadas baseiam-se na análise jornalística de Breno Altman para o Opera Mundi (4 de janeiro de 2026), que detalha o sequestro de Nicolás Maduro, a “Doutrina Donroe” e os impactos da Operação Absolute Resolve.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email