O Bolsonarismo Acuado: Uma Ameaça Latente ao Brasil

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*Por José Manoel Ferreira Gonçalves

A trajetória do bolsonarismo no Brasil evoca não apenas um desvio político preocupante, mas também uma ameaça latente à nossa sociedade. Semelhante a um desastre ambiental, sua influência tem sido vasta e profundamente nociva.

Este movimento, uma vez instalado na presidência, se alastrou por governos estaduais e pelo Congresso, alterando irrevogavelmente o panorama político do país. A gestão catastrófica da pandemia de COVID-19 é um exemplo alarmante. Sob sua liderança, o Brasil enfrentou algumas das maiores taxas de mortalidade pela doença no mundo, um testemunho trágico da negligência e incompetência administrativa.

Além disso, a postura do governo Bolsonaro em relação ao meio ambiente foi desastrosa. A desregulamentação e o desmantelamento das equipes de fiscalização levaram a prejuízos irreversíveis à biodiversidade brasileira. Essas ações não apenas ameaçaram a flora e a fauna, mas também comprometeram o equilíbrio ecológico essencial para o nosso futuro.

O ano de 2023, contudo, marcou um ponto de virada. A tentativa de golpe em 8 de janeiro, embora baseada em estratégias falhas, expôs a desesperada vulnerabilidade da extrema direita. Esse evento ilustrou claramente a ambição desmedida do bolsonarismo e sua disposição em subverter a democracia para alcançar seus objetivos.

Agora, mesmo parecendo acuado, o bolsonarismo permanece à espreita, uma sombra ameaçadora sobre o Brasil. A extrema direita, utilizando táticas de guerrilha digital, continua sua busca implacável para desestabilizar o cenário político. Essa abordagem é marcada por uma falta de ética alarmante, manipulando a opinião pública através de campanhas de desinformação nas redes sociais.

Não se trata aqui de defender o governo atual, ou qualquer outra força democrática que queira colocar-se. Trata-se sim de defender o que é melhor para o Estado e, acima de tudo, para a Nação, para os cidadãos. Defendemos o que comprovadamente é melhor para todos, a saber: a social-democracia, o progresso no sentido amplo, as mudanças necessárias para que nos adequemos ao mundo novo, nos valendo e valorizando as conquistas da humanidade. Damos vivas ao conhecimento científico, ao fabuloso conjunto das artes que o gênio humano construiu através dos séculos, os saberes e a tecnologia, mas, acima de tudo, o desenvolvimento humano. Precisamos aprender a viver com o diferente, respeitando individualidades, cores  e origens, libertos de preconceitos tolos.

Por tudo isso, é preciso que temamos o que pode vir. Mas o medo que devemos sentir não é o medo paralisante, mas sim do tipo que alerta para a vigilância e leva à ação. Um medo que reconhece o perigo de permitir que o ódio e a divisão, uma vez mais, governem nossa nação. É crucial que a sociedade brasileira se una contra essa ameaça persistente, defendendo nossa democracia, integridade e o futuro do nosso país.

A resistência ao bolsonarismo e à extrema direita, contudo, deve ser uma frente unida, que inclua políticos, a sociedade civil, a mídia e as instituições educacionais. Juntos sim, podemos fortalecer os pilares da democracia brasileira, promovendo uma cultura de transparência, responsabilidade e respeito mútuo.

*José Manoel Ferreira Gonçalves é Cientista político, Jornalista, Advogado, Engenheiro Civil, mestre, doutor e pós-doutor em Engenharia.

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